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SILENCIADOR

de

JACINTO LUCAS PIRES
REF: 9789727952786 Categoria:

Informação adicional

Autor

JACINTO LUCAS PIRES

Editora

COTOVIA

Ano de Edição

2008

O preço original era: 3,00 €.O preço atual é: 2,70 €. (IVA incluído)

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Sinopse

«Um homem de gravata, fato escuro. Um escuro quase invisível de tão caro. Estilo inglês, sem marca, alfaiate tradicional. Um desses ultra-selectos, com casa em Londres e uma ligação qualquer à família real, coisa pequena, sem importância, mas que. Sim, exacto. Um “gajo”. Eu, um “gajo”. Palavras que nem precisam de ser ditas. Quase. Su-su-surro. (Pausa, e depois em voz baixa.) “Gajo”, um “gajo”. (Pausa.) Tenho tudo o que é preciso. Desde logo, um rosto conveniente. Liso, legível, perfumado. Branco. E um modo, uma forma de olhar que sugere a ideia de. Não trevas, não, não propriamente. Tenho de ensaiar isto melhor, talvez. Só uma sombrinha, uma coisinha de nada, miniminha mesmo. Uma penumbra apenas. Uma, sim, “penumbra” —é, aliás, uma palavra de que. Que me faz pele de galinha. No bom sentido. Ou, pelo menos, digamos. Sinto por ela algum respeito, vá lá. É isso e “páuer”. Garra e pinta e força e—“páuer”. (Pausa.) A maior parte das pessoas separa vida e trabalho, dois mundos distintos, eu “non”. Para mim, não há limites, não há barreiras. Chamem-me romântico se quiserem, a verdade é que não há nada a fazer. É como eu sou, e é. “Páuer”, pois. Olhar para a testa de qualquer pessoa, não apenas um inferior hierárquico, quando lhe mais-ou-menos-pergunto “olhe bardamerda, sim?”. Um homem simples, no fundo, já sei. Gostos bem definidos, um sonho claro. (Pausa.) Na capital, ruas monumentais, praças desertas, zero de vento, zero de árvores a abanar, um sol totalitário. Digo, por exemplo. E, no banco de trás do automóvel cinza, o “gajo” sentindo-se moderno como o raio enquanto consulta os jornais no aparelhinho metálico, marca nipónico- finlandesa, que cabe na sua mão infantil. O amor que há nisto! E, em torno dos punhos brancos, dos dedos feios, das sobrancelhas ligeiramente femininas, algo parecido com uma. Não, algo parecido não. Não, a própria da coisa. Uma tremenda de uma (SANTOS sorri só para si ao pensar na palavra) penumbra.»

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Autor

JACINTO LUCAS PIRES

Editora

COTOVIA

Ano de Edição

2008

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